16 de julho de 2011

SE EU SOUBESSE EXPRMIR ESTA BONDADE

Sinto Alguém dentro de mim…

As agonias, tonturas e dores não cessam de consumir a minha alma e o meu corpo. O meu crucifixo, Jesus, Jesus, a Mãezinha, são a minha força. Não me conheço; não sei porque vivo nem para quem vivo. O meu fim, o meu único fim é Jesus, só Jesus. Será assim? Será para Ele que eu vivo? Que vida amarga, tão cheia de incertezas! O meu coração arde, e quantas vezes parece ser nas brasas mais vivas. O meu coração anseia por amar, por se dar, por se esconder em Jesus, desaparecer por completo ao mundo, para só Jesus viver; para só Jesus aparecer. Não vejo estas ânsias realizarem-se, não sinto viver esta vida; só a miséria em mim aparece, causa-me horror. Continuo a ver os sofrimentos que me causam a morte; é mesmo a morte que eu vejo em todos os seus tormentos e dores. Tanta crueldade! Tantos assassinos, cada qual com os seus horríveis sofrimentos para mim! E eu vou, ou melhor, sinto que Alguém, dentro de mim, vai ao encontro de todos esses assassinos, que povoam o mundo inteiro; com que ternura, com que amor lhes pede para não ser ferido; com que bondade lhes estende os braços para a todos abraçar, para a todos colocar em seu regaço como mansos cordeiros; com que bondade lhes abre o Coração e os convida a entrarem n’Ele para ali viverem, para ali morrerem. Finge não saber que eles O querem matar. Ah! Se eu possuísse esta bondade, este amor! Ah! Se eu usasse assim para com os que me ferem! Ó meu Deus, ó meu Deus, se eu soubesse exprimir esta bondade: Bendito sejais; digo o que Vós quereis; eu nada sei dizer; falai Vós, meu Jesus. Por vezes, parece que vejo em mim, acima e em baixo de mim, o inferno aberto; quer-me engolir. As serpentes, feras e negro fogo tentam engolir-me, tentam devorar-me. É um pavor, parece que todo o mundo é inferno. Eu não fujo dele, e, se não me acodem, tenho de cair nele. E, por vezes, com a visão deste martírio, vêm-me cheiros horrorosos; cheiros que eu desconheço, podridões insuportáveis. Meu Jesus, sou a vossa vítima; abraçada ao meu crucifixo, repito-Lhe a oferta; sou a vossa vítima, quero salvar as almas. Não Vos largo mais, meu Jesus; abraçada a Vós, não corro o perigo de cair no inferno. Fazei que comigo a Vós se abracem todas as almas. Mãezinha, querida Mãezinha, não sou digna, sei que o não sou, de Vos chamar pelo dulcíssimo nome de Mãe; valei-me, acudi-me, acudi ao mundo, acudi a todos os filhos Vossos e fazei com que eu prove, com a minha vida perfeita e o meu amor a Jesus, ser Vossa filha. Escondei-me, ajudai-me a desaparecer, a perder-me em Jesus, a ser louca por Jesus. Temos as trevas, tremo com a cegueira, tudo me escurece o meu espírito, toda me mergulho nelas. Estou vazia, vazia de tudo, sem ter que me encha e sem ter ninguém por mim. As humilhações parecem ferir-me o corpo e desfazer-me a alma. Tudo quero, tudo aceito, todos os sofrimentos me lembram Jesus, todos os sofrimentos me provam neles a existência de Jesus. O amor de Jesus, o amor de Jesus. Quem não há-de sofrer, quem não há-de amá-Lo! Ó minha cruz, ó minha cruz, eu não te troco nem pela terra nem pelo Céu; em ti vejo Jesus a quem só quero, a quem só amo. Não posso abafar, por mais tempo, os sofrimentos, as ânsias que há semanas me atormentam novamente. Eu não sei o que quero do Santo Padre. Temo-o como temo toda a gente, mas quero lançar-me a seus pés, quero ouvir-lhe um som, quero receber dele alguma coisa. Sofro, oro, amo-o como Pai extremoso, e como filha quero ser por ele aceite e dele alguma coisa receber.
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 7 de Março de 1947 - Sexta-feira)

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