16 de julho de 2011

OS ANJOS CANTAVAM

“Vida divina, vida de amor...”

Ao convite de Jesus para o Seu Divino Coração, eu entrei, e, dentro dele fechada, fiquei como que a nadar num mar de fogo. Jesus continuou a dizer-me:
― Sacia, sacia, Minha filha, a tua fome; é o Meu amor que dá a vida, alimenta a tua alma e suaviza também a dor do teu corpo.
Os Anjos desceram do Céu, e, em turnos, assistem a verem dar-te este alimento divino. Escuta-os. Calou-se Jesus, e principiei a ouvir uns toques harmoniosos e arrebatadores, com misturas de vozes tão doces, que na terra não conheço. Cantavam:
Vida divina, vida de amor,
Manjar celeste do Rei de amor.
Fogo divino, vinde do Céu,
Manjar celeste do bom Jesus;
Fogo divino, vida das almas,
Força invencível da sua cruz.
Glória, glória! Glória ao Senhor
que é nosso Rei e Criador!
Cessou a música, cessou o canto, e eu ainda dentro do Coração divino de Jesus. Vi os Anjos, aos bandos como de andorinhas, a subirem, a baterem as suas asinhas brancas. Jesus abriu o Seu divino Coração, fez que eu saísse Dele e, sem se separar de mim, disse-me:
― Vou dar-te uma gota do Meu divino Sangue para alimento do teu corpo; não deixarei de to dar, enquanto que não deixar de te pedir a dor, o que não deixarei de te pedir a dor, o que não deixarei de te pedir, enquanto viveres na terra.
Jesus abriu num rápido momento, o meu peito; dentro do coração, deitou uma só gota do Seu Sangue divino. O coração principiou a dilatar-se, e Jesus, muito apressado, cerrou a abertura, passou por cima as Suas divinas mãos e bafejou-o com os Seus lábios.
― Vai, Minha filha, leva a minha vida, leva o Meu amor. Confia, confia que Me amas; estás cheia de Mim. A tua morte ‘e vida, a tua cegueira é luz, o teu vazio é o sinal, é a prova mais clara de que de Mim estás cheia, toda cheia, que só de Mim vives, que só a Mim pertences, que só a Mim amas. Vai, Minha filha; vai dizer que Jesus é muito ofendido, que a malícia humana não pode aumentar mais. Vai dizer que Jesus, pelos lábios da Sua vítima mais amada, pede a oração, pede reparação, pede penitência; e sobretudo pede pureza, pede amor. Vai, filha querida, para a tua amargura, para a tua cruz; vai com alegria, vai confiada, que contigo está sempre o teu Jesus. Coragem, coragem!
Já lá vão umas horas; o coração queima-me, estende os seus ardores a todo o peito, mas já o sinto cercado de espinhos e todo meu espírito mergulhado em cegueira. Bendita seja para sempre a minha cruz.
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 7 de Março de 1947 - Sexta-feira)

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