24 de julho de 2011

VI A FIGUEIRA…

Pouco depois, vi pela segunda vez a figueira reverdecida, e depois já seca sem uma folha ao menos.

Na tarde de ontem, eu senti e vi Jesus numa grande amargura, com a Sua Sacrossanta Cabeça apoiada nas Suas Santíssimas mãos, em profundo silêncio. A seguir levantou os Seus divinos olhos, fitou a cidade representada dentro de mim; chorou, chorou sobre ela. Pouco depois, vi pela segunda vez a figueira reverdecida, e depois já seca sem uma folha ao menos. Essa figueira saía por entre um montinho de pedras. Vi ao mesmo lado que a vi pela primeira vez. Depois da ceia de Jesus com os Seus Apóstolos, vi pela primeira vez benzer o pão que viria a ser a nossa Eucaristia. Que encanto! O Seu Santíssimo Rosto era só luz, parecia que só fogo a rodeava, com os olhos encantadores fitos no Céu a um sorriso doce abençoava o pão, que pouco depois por todos distribuía. Quando Judas O recebeu, tornou-se ainda mais desesperado; já não parecia homem, mas sim um demónio. Jesus falava sempre com a mesma doçura e meigos sorrisos. Ainda foi ao Horto, receber o beijo do infeliz traidor, depois de ter suado sangue e sentir todo o Horto estremecer, sobretudo quando foi preso Jesus. Segui com Ele e com Ele fui espancada.
Hoje, ao seguir o Calvário, caminhava, pelo solo duro, a ser com Jesus açoitada e maltratada, com todo o corpo em chagas e sangue. Caminhava e não sei como. Sobre a terra e os maus-tratos dos homens e sobre mim o Céu com toda a sua justiça. Como essa justiça me esmagava! E eu tão desfalecida e sem luz não podia caminhar. Próxima à montanha ainda; ela caiu sobre mim; tive que romper as lajes. Senti o meu corpo como que um esqueleto tingido de sangue; e neste estado fiquei na cruz. O brado de Jesus não foi só por três vezes que se fez ouvir em todo o Calvário; foi um brado contínuo em toda a Sua agonia, era um brado do Coração que Ele fazia chegar ao Pai e que parecia ser por Ele rejeitado. Pelo Pai bradava e pelo mundo espalhava amor; tudo lhe saia do Seu divino Coração. E a Mãezinha, chorosa, ao pé da cruz, na mesma agonia! E sentia que Ela era com Jesus, que estava em mim, uma só coisa. Juntaram as Suas lágrimas, dores e agonia. A vista da Mãezinha aumentou em Jesus a agonia. Eu na mesma união sofri também. Passou pelo meu corpo como que um sopro gelado que me deixou sem vida; e senti como se o espírito me deixasse.

(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 11 de Abril de 1947 - Sexta-feira)

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