16 de julho de 2011

EU AMO-VOS ! EU AMO-VOS !

Assim como não és igualada na dor, também o não serás no amor

Ontem, pouco depois do meio-dia, vi um mundo de sofrimentos, senti um mundo de pavor, um mundo que me dava a morte. E uma voz dentro em mim, murmurava: vou morrer. Horas depois, senti e vi como se o sol se metesse por debaixo de uma grande montanha, montanha que era um rochedo fechado. Esse sol movia-a e removia-a e fez com que ela se destruísse ficando em cinzas, em nada. Os habitantes, que a rodeavam, desapareceram já de noite, caí no Horto, naquele solo duro; ali sofri as maiores dores e amarguras naquela noite escura. Num rápido momento, dentro em meu peito de dor, abria-se um coração que não era o meu; abriu-se e deu todo o sangue no qual ficou o meu corpo mergulhado, nadava nele e nele se purificava. Hoje, logo de manhã, coroada de espinhos, com a cruz aos ombros, sem forças e com todo o corpo chagado, arrastado, obrigada a caminhar apressada, seguia o caminho do Calvário. O Céu não me poupou com o peso da sua justiça. Senti como se a abóbada do firmamento, coberto de nuvens, caísse sobre mim a esmagar-me contra o chão duro. Jesus dentro em mim, tudo suportava e recebia com doçura e amor. O peso esmagador, os Seus Divinos olhos para o mundo cerrados, ou quase cerrados iam abertos para Seu Eterno Pai. Eu sentia que Ele não deixava de os fitar Nele e Dele se separava. A chuva de chicotadas e pontapés, murmurava sempre o Seu Divino Coração: Eu amo-Vos, eu amo-Vos e vou morrer por Vós. Ao terminar a montanha, sentia-me desfalecer e morrer, ao mesmo tempo que sentia a tranquilidade, a paz e amor de Jesus que era a tranquilidade e paz ainda só de um Deus.
No alto da cruz fiquei a sentir a Sua Sacrossanta Cabeça em meu peito inclinada. Estava tão ferida, e os seus espinhos feriram-me também o coração e a alma! A dor de tais feridas tirava-me a vida a todo o corpo. E assim agonizava, unida a Jesus. Nesta união entreguei com Ele o espírito ao Eterno Pai. Momentos antes de Jesus expirar, eu sentia como se dos Seus lábios divinos voassem para o Eterno Pai ósculos do mais puro amor. Como Jesus amou as nossas almas no meio de tão grande sofrimento, de tão pesada cruz. Só eu não sei imitá-Lo. Momentos depois de sentir ter expirado, Ele chamou-me:
― Minha filha, Minha filha, escuta o teu Jesus. Vem, esposa amada, vem, esposa querida; convido-te a entrares em Meu Divino Coração; vem abrasar-te, vem alimentar-te, vem consumir-te neste fogo divino. Entra, demora aqui, quero-te mergulhada em amor. Serás a louca das loucas do amor divino. Demora-te aqui, toma este alimento divino que dá vida à tua alma. Viverás na dor e no amor, e na dor e no amor morrerás. Terás o amor na proporção da dor. Assim como não és igualada na dor, também o não serás no amor. Subirás, subirás, elevar-te-ás às alturas. Serás queimada, serás consumida nas chamas do Meu amor divino, serás à semelhança da borboleta queimada nestas chamas; nelas darás a vida. Eu farei que o Meu amor transpareça em ti; ele será conhecido e visto em todo o teu ser como num espelho cristalino. O Meu divino amor em ti será atraente; farei que atraiam as tuas palavras; os teus olhares, os teus sorrisos, todo o teu ser. És de dor, és de amor, és de salvação para as almas. Dou-te amor, peço-te dor, sei que não ma negas; sofre com alegria. Coragem sempre; as almas necessitam do teu sofrer.
(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 7 de Março de 1947 - Sexta-feira)

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