22 de julho de 2011

A MINHA ALMA VÊ OS ESPINHOS

Minha filha, espera-te a tua cruz; tem coragem

Padre Umberto Pasquale, Deolinda e Alexandrina
Morri e não ressuscitei com Jesus; fiquei na mesma morte; fiquei em horroroso sofrimento. Envergonho-me de mim mesma, de só falar da dor; mas ela não me deixa, dia e noite. Só posso bendizer o Senhor por tantos miminhos vindos de Suas mãos divinas. Num demorado abraço no meu crucifixo com grandes gemidos, mas também com grandes ânsias de sofrer por Ele disse-Lhe: meu Jesus, contai sempre comigo para ser a Vossa vítima, não conteis com o meu amor, mas sim com o Vosso, pois é com ele que eu Vos amo; não conteis com a minha generosidade e força, mas sim com a Vossa; é a Vossa generosidade, é a Vossa força que se levanta a aceitar alegremente todo o sofrimento. A minha alma vê os espinhos, como se fossem rosas Formosas; quero sofrer, quero amar-Vos. Com o corpo cheio de agudíssimas dores e a alma em agonia foi que hoje, ao cair da tarde, recebi o meu Jesus. Cessaram os sofrimentos, fiquei como se adormecesse no Senhor. Veio Jesus, pôs em grande movimento o meu coração; incendiou-mo com todo o peito.
― Minha filha, tu que és a minha alegria e consolação vem a Mim tu que és a estrela que guia as almas, vem ao Meu Coração incendiar-te no Meu divino amor. Vive de Mim, recebe para viveres, vive para dares a vida. Eu vou dar-te uma gota do Meu Sangue divino; vai correr em tuas veias, vai suavizar a tua dor, vai dar-te a vida perdida em tão penoso martírio, neste Calvário onde te coloquei.
Jesus uniu logo o Seu divino coração ao meu. Logo que senti sair a gota do Seu divino Sangue, senti força, senti vida, toda a vida do Céu. Com o meu coração unidinho ao de Jesus, fiquei por algum tempo como que a navegar num mar de amor infinito de Jesus.
― Descansa, aqui, Minha filha; descansa e recebe vida; é esta a vida das virgens, é esta a vida das esposas loucas de amor por Mim. Diz, Minha filha, ao teu Paizinho que vou fazer que ele seja levado às alturas, não só no Céu no Meu amor, mas já aqui, na terra, nas Minhas obras e maravilhas; será justificado multiplicadas vezes mais do que foi humilhado. Dá-lhe o Meu divino amor para as almas; diz-lhe que será sempre o grande mestre delas e grande consolador do Meu divino coração. Diz ao teu médico que o amo, diz-lhe que lhe dou toda a Minha serenidade, tranquilidade e paz; diz-lhe que lhe dou o Meu divino Coração, cheio de amor, com a Minha bênção divina e abundância das Minhas graças, para ele distribuir aos que mais ligados estão ao seu coração. É o prémio da sua firmeza e defesa à Minha causa divina. Os teus males são agravados, em proveito das almas, para cuidado e preocupação dele e para todos os que mais de perto te rodeiam. Coragem e confiança; Jesus está com todos. Vem, Minha bendita Mãe, vem juntar aos Meus os teus carinhos, vem dar à Nossa filhinha a força que necessita.
Veio a Mãezinha, logo me tomou em Seus braços; fiquei entre o Seu peito e o de Jesus e unida ao rosto divino dos dois; era uma prensa de fogo.
― Amo-te, Minha filha, porque és de Jesus e és Minha; amo-te, porque és Minha filha e esposa de Jesus; amo-te porque és a Sua vítima; amo-te, porque sofrendo com Ele, acodes aos pecadores; amo-te porque Jesus te ama, amo-te, porque és toda Dele e Minha.
Continuou:
― Leva, Minha filha, este amor terno da tua e Minha Bendita Mãe; leva todo o amor de Jesus e vai dá-lo aos que te são queridos; diz-lhes que são os mimos do Céu, formados por amor divino; são mimos dados por tanto cuidado e amor dispensado à maior vítima, à maior heroína da humanidade, à maior amada do Meu Coração divino.
― Jesus, Mãezinha, em nome de todos Vos agradeço, Vos abraço com doçura.
― Vai, Minha filha; espera-te a tua cruz; tem coragem. O teu cansaço no sofrimento é para que os pecadores sintam cansaço no pecado. Eu não cesso, não cessarei mais de te pedir a dor, porque o mundo maldoso não cessará de Me ofender. Vai, pomba bela, forma para a cruz o teu voo; é da cruz que voas ao Céu; é do Céu que a tua missão dará ao mundo toda a luz. Coragem, Minha filha coragem!
― Obrigada Jesus. Eu vou e quero ficar Convosco, não para gozar, mas sim para Vos amar e de Vós receber força. Sede comigo, Jesus, sede comigo Mãezinha.



(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 5 de Abril de 1947 - Primeiro sábado)

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