24 de julho de 2011

MEU JESUS, OLHAI A MINHA MISÉRIA

Quero o teu amor. Ama-Me, ama-Me por ti, ama-Me pelos que não Me amam.

Veio depois Jesus, restituiu-me a vida e disse-me:
― Vem, vem, Minha filha, dar de beber, saciar com a tua dor a sede ardente, a sede devoradora do teu Esposo, do teu Jesus. Quero o teu amor. Ama-Me, ama-Me por ti, ama-Me pelos que não Me amam. Eu tenho fome, Eu tenho sede das almas; não posso viver assim. Tenho sede de amor, e sou por elas ferido; quero-as em Meu Divino Coração, e sou pelos pecadores lanceado. Repara, repara bem como Eu estou. Jesus retirou do peito os Seus vestidos; tinha o lado aberto, o Coração todo em sangue.
Sem poder vê-Lo assim ferido disse:
― O que posso eu fazer Jesus? Amar-Vos, não sei, nada tenho para consolar-Vos. Dai-me o Vosso amor; com ele posso dizer que Vos amo por mim e por todos os que Vos não amam. Dai-me a Vossa força para com ela poder dizer-Vos; dai-me todo o sofrimento, para com ele salvar as almas e não deixar que os pecadores assim firam o Vosso Divino Coração. Quero sofrer, meu Jesus, para ver o Vosso peito cerrado e sem ferida o Vosso Divino Coração; que Ele seja só amor e compaixão para com todos os que Vos ferem, Jesus.
― Já estou curado, Minha heroína; a tua generosidade e amor à dor foram o bálsamo que Me curou. És tu, Minha louquinha, o bálsamo do Meu sofrer, e eu serei sempre o bálsamo, a força, o conforto no teu martírio. Coragem! O mendigo, que todas as sextas-feiras te bate à porta a pedir a esmola, não cessa de te pedir: dá-Me dor, Minha louquinha, dá-Me dor, salva-Me as almas; consola o Meu divino Coração e vai dizer ao mundo: converte-te, vem para Jesus; converte-te e ama-O; converte-te e converte-te depressa, se não queres ver bem depressa cair sobre ti toda a infinita justiça de Seu Eterno Pai.
― Meu Jesus, olhai a minha miséria e compadecei-Vos dela; eu não sei sofrer nem reparar e parece-me que são inúteis os meus sofrimentos.
― Revestidos de mim, têm todo o valor. Confia no que te diz Jesus. Vais ver sair do Purgatório, subir ao Céu trinta e três almas em honra dos anos que vivi na terra e salvas por ti. Vão ser levadas pela Minha Bendita Mãe.
Vi como que um campo de fogo, mas um fogo que atraía e que fazia a alma ansiar e mergulhar-se nele. Por entre essas chamas foram saindo e voando um bando de pombas brancas, brancas como a branca neve; esvoaçavam como andorinhas a poisarem nos seus ninhos; o ninho delas era o manto azul celeste da Mãezinha que ficou guarnecido com todas essas pombas brancas. A Mãezinha, coroada de rainha, foi subindo, subindo, até que desapareceu com todo o bando. Num grande contentamento disse:
― Obrigada, obrigada, meu Jesus; fazei que vão ocupar o lugar delas, para se purificarem todas as almas que partirem do mundo; para que nenhuma se perca sou sempre a Vossa vítima.
― Para que assim seja, filha querida, para que se salvem os pecadores, dás-Me então uma grande reparação, nos dias que vão seguir-se? Terás grandes ataques com o demónio; terás que combater fortemente. Não Me dás uma recusa, não?
― Não, meu Jesus; dai-me a Vossa graça, para não Vos ofender; sede a minha força, para eu poder abraçar todo o martírio. Sede comigo e aceitai o meu coração agradecido.


(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 11 de Abril de 1947 - Sexta-feira)

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